• Inês Souza | Fundadora

Para Combater o Novo Coronavírus: Teste! Teste! Teste!

Atualizado: 6 de Mai de 2020

Autores: Giovani L. Vasconcelos (1), Inês C. L. Souza (2), Antônio M. S. Macêdo (3) e Florian Paysan (2)

(1) Departamento de Física, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR

(2) 3Hippos Consultoria, Curitiba, PR

(3) Departamento de Física, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, PE


Não importa como se olhem os dados, a conclusão é uma só. No combate à pandemia do novo coronavírus, o que faz a diferença é “teste, teste, teste”[1]. Isto significa testar o máximo de casos suspeitos. Vejamos, por exemplo, o caso da Alemanha. É o quinto país em número de casos confirmados (gráfico 1), com cerca de 22.000 casos até 21/03/2020, mas registra apenas 75 mortes (gráfico 2). Ou seja, uma taxa de mortalidade, em relação aos casos confirmados, de apenas 0,34% (gráfico 3). Isso certamente se deve à política de teste em massa — cerca de 160.000 testes por semana[2]! Outro exemplo de sucesso é a Coreia do Sul, que foi pioneira na adoção de uma política de teste em massa, combinada com isolamento de todos os infectados e quarentena dos seus contatos, e assim conseguiu controlar a epidemia (apenas 102 mortes em 8.799 casos confirmados) sem ter que impor uma quarentena para toda a população.


Gráfico 1

A letalidade real do vírus, em relação ao número total de infectados, é difícil de estimar, já que a maioria dos casos são assintomáticos e, portanto, não são detectados se não forem testados. Por isso é difícil a comparação da taxa de mortalidade (relativa ao número de casos confirmados) entre países com diferentes políticas de teste. Com o aumento do número de testes em um dado país, a respectiva taxa de mortalidade tende a cair. Isso explica parcialmente a baixa taxa de mortalidade na Alemanha mostrada no gráfico 3: com muito casos detectados, a taxa de mortalidade é naturalmente mais baixa. Mas como explicar também o baixo número absoluto de mortes na Alemanha?


Gráfico 2

Por exemplo, o Reino Unido, com cerca de 4.200 casos confirmados, já tem 179 mortes (gráficos 1 e 2). E a Suíça tem quase o mesmo número de mortes (72) da Alemanha, mesmo tendo uma maior renda per capita e um décimo da população! Esses dois países, Reino Unido e Suíça, após insistirem por várias semanas na política de “mitigação”, foram recentemente (e tardiamente!) forçados a adotar uma estratégia de “supressão” da epidemia, face ao número crescente de infectados.


Gráfico 3

A conclusão inescapável é que a política de teste em massa tem um efeito real na contenção da epidemia e na redução do número de mortes. Quanto mais cedo um caso positivo for identificado, mais cedo o indivíduo pode ser isolado ou tratado. Mas, para ser efetiva, essa política precisa ser combinada com outras ações. Para países que, diferentemente da Coreia, não têm condições de fazer uma política agressiva de isolamento dos infectados e de identificação e quarentena dos contatos, as medidas restritivas de mobilidade restam como a única estratégia viável. É o caso, por exemplo, dos Estados Unidos. Em qualquer caso, o teste em massa é indispensável! Como disse o Diretor-Geral da OMS: “não se pode apagar um incêndio com os olhos vendados”[1].

O Brasil já possui mais de 1.000 casos confirmados e 18 mortos. A tendência é que o número de casos fatais cresça nos próximos dias. Este é o momento de escolher que trajetória queremos seguir. Uma urgente mudança de política no combate ao novo coronavírus pode evitar um elevado número de mortes. Bons exemplos de enfrentamento da crise existem!


[1] “WHO Director-General’s opening remarks at the media briefing on COVID-19–16 March 2020”, https://www.who.int/dg/speeches/detail/who-director-general-s-opening-remarks-at-the-media-briefing-on-covid-19---16-march-2020


[2] “Germany’s coronavirus anomaly: high infection rates but few deaths”, Financial Times, 21/03/2020, https://www.ft.com/content/f3136d0a-663e-11ea-800d-da70cff6e4d3


Publicação original: https://medium.com/@inesouza

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